Redes Sociais

Vôlei

Sem liga profissional, vôlei feminino lota ginásios nos torneios universitários dos EUA

Média de público chega a passar das oito mil pessoas por partida

Bob Devaney Center

A informação de que os Estados Unidos não possuem uma liga profissional de voleibol é algo que surge a cada competição internacional disputada pela seleção norte-americana. Sem muito espaço na televisão, o público in-loco do esporte em nível universitário possui números maiores do que campeonatos nacionais adultos ao redor do mundo.

A cultura de ir até o ginásio para ver a equipe da universidade jogar é algo que ocorre com boa parte dos esportes nos Estados Unidos. Isso ajuda o país a manter um voleibol ativo e com material humano constante para a renovação da equipe nacional.

Com 50 universidades na disputa da divisão principal do campeonato da NCAA no vôlei feminino, a cultura do esporte é especialmente forte no Havaí. Lá, o voleibol no campus da University of Hawaii é tão popular quanto futebol americano ou basquete. Como resultado, a universidade é capaz de gerar receita através do vôlei.

A University of Hawaii liderou o ranking da média de público no país de 1997 — primeiro ano a ser registrada a contagem — até 2013 no voleibol feminino. Nesse período, a média mais baixa nos jogos em casa da universidade foi de 5.944 pessoas por jogo, em 2010. O número mais alto ocorreu em 2003, com 7.486 pessoas por confronto na ilha. O detalhe é que a University of Hawaii não ganha o campeonato nacional da NCAA desde 1987.

Os jogos da equipe do Havaí possuem uma equipe de televisão própria que transmite as partidas para a ilha, além de rádios e outros meios. De lá saíram nomes como as medalhistas olímpicas Heather Bown, Kim Willoughby e Robyn Ah Mow.

Ginásio lotado para ver o vôlei feminino da University of Hawaii jogar (Foto: H1)

Quem desbancou o reinado de público do Havaí foi a universidade que pode ser considerada a capital do vôlei feminino norte-americano: Nebraska. Até 2013 a universidade mandava os jogos no Nebraska Coliseum, um dos poucos no país desenhado especificamente para o voleibol.

Lá a equipe construiu as campanhas que a levaram a três títulos nacionais da NCAA entre 1995 e 2006. Durante 20 anos, o ginásio com capacidade para 4.030 espectadores manteve o Nebraska Huskers entre as três universidades com maior média de público do torneio por 20 anos.

No Coliseum, o Nebraska perdeu apenas 38 jogos em um total de 597 entre 1975 e 2013. Antes do fechamento do local, as últimas 181 partidas haviam esgotado os ingressos disponíveis. No auge da temporada de 2012 as vendas chegavam a durar apenas 20 minutos.

A nova casa do Nebraska Huskers é o Devaney Center. Antigo palco do basquete masculino local, o ginásio com capacidade para até 9 mil pessoas passou por reformas para se adaptar exclusivamente ao vôlei.

Como resultado, Nebraska ultrapassou a University of Hawaii na média de público já na temporada seguinte, em 2014. Os Huskers tiveram uma média de 8.083 pessoas nos 18 jogos em casa durante o ano, na campanha que levou a equipe até a final regional da NCAA, que equivalem às quartas de finais do nacional.

No ano seguinte a equipe voou ainda mais alto. Passou por toda a temporada com 32 vitórias e 4 derrotas para chegar até a decisão do título nacional. Jogando em casa, em Omaha, a torcida local esgotou os 14 mil ingressos disponíveis no CenturyLink Center antes mesmo das semifinais. Na decisão, 3 a 0 para Nebraska em cima do Texas Longhorns para comemorar o quarto título do Campeonato da NCAA da universidade.

Bob Devaney Center, o caldeirão que torna o Nebraska quase imbatível em casa (Foto: Huskers.com)

Os três maiores públicos da história do vôlei norte-americano universitário feminino são de jogos do Nebraska. Todos na casa dos 17 mil, entre 2006 e 2008, em fases finais da NCAA.

No levantamento de 2014 sobre públicos na liga universitária norte-americana, 18 das 50 universidades da primeira divisão tiveram média de mais de duas mil pessoas por jogo nos ginásios. Os últimos colocados ainda conseguiram ficar na casa dos 900 espectadores.

Nos outros países

Quando o assunto é público de diferentes ligas, apenas jogar números absolutos pode não ser o mais justo dos caminhos para efeitos de comparação. Nos Estados Unidos, a torcida dos eventos da NCAA são mobilizadas, na maioria, em torno dos estudantes universitários. Existe também a discussão sobre a cultura e a facilidade de ir até os ginásios, além, é claro, do tamanho das praças esportivas.

Mas para poder se situar diante do que os números norte-americanos representam, o maior público de uma final de Champions League feminina — competição interclubes mais importante da Europa — nos últimos quatro anos foi de 6 mil pessoas, em Istambul, na Turquia, para ver o dono da casa Vakifbank vencer o Rabita Baku.

Estádio Nacional cheio para a estreia do Mundial Masculino de 2014, na Polônia (Foto: FIVB)

No Grand Prix de 2015, o público brasileiro teve uma média de 6.417 espectadores no Ibirapuera para acompanhar a seleção nacional diante de Bélgica, Tailândia e Alemanha. Ainda no Brasil, uma média de 5.915 pessoas compareceram no Maracanãzinho para a fase final da Liga Mundial de Vôlei Masculino 2015.

No último Mundial Feminino, por exemplo, o número ficou em 3.220 nos ginásios italianos. No masculino, com direito a um público de 61.500 pessoas no Estádio Nacional de Varsóvia, a média final foi de 5.468.

O caminho da profissionalização

Os Estados Unidos já tentaram, em pelo menos quatro vezes, criar uma liga profissional unificada para o país. Nenhum dos projetos obteve sucesso.

Após terminar a universidade, o caminho para as jogadoras se divide entre se aposentar do voleibol em alto nível ou tentar a sorte em outros países ao redor do mundo com ligas profissionais estáveis.

Do elenco medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, todas as 12 jogadoras norte-americanas atuavam no exterior, em países como Itália, Polônia, Brasil, Rússia, Turquia, Azerbaijão e até mesmo Porto Rico.

Courtney Thompson, que joga atualmente no Rio de Janeiro, declarou para a Associated Press em 2014 — quando ainda atuava pelo Volero Zurich, da Suíça — que a adaptação não é fácil. Segundo ela, os times do exterior treinam e jogam de uma forma diferente do que ocorre no nível universitário dos Estados Unidos.

Outro ponto é que, na universidade, as atletas são impedidas de receber dinheiro ou vantagens para atuar pelas equipes. Na mesma entrevista para a AP, Thompson lembrou que, ao receber os primeiros salários como profissional, dizia “muito obrigado” várias vezes os dirigentes das equipes, até que eles responderam: “Courtney, este é seu trabalho, você pode parar de me agradecer”.

Se não há um campeonato nacional profissional, a estrutura para as seleções norte-americanas nos Estados Unidos recebem um cuidado bastante especial do Comitê Olímpico do país, o que contribui para a manutenção do alto nível das atuais campeãs mundiais.

Enfim…

O vôlei feminino é mais uma das peculiaridade dos esportes norte-americanos. Com um gosto por esporte bastante heterogêneo de acordo com o estado, o voleibol consegue captar, no nível universitário, públicos que fazem inveja a qualquer liga profissional do mundo.

Quando o assunto é engajamento de televisão, patrocinadores e público para uma liga profissional, no entanto, o país ainda não conseguiu o impulso inicial que a MLS, por exemplo, teve nos anos 90.

Ao ter uma base forte com as atletas até 22 anos, os norte-americanos conseguem produzir um material humano suficiente para criar um fluxo de jogadoras no exterior e se manter como uma das melhores equipes nacionais do mundo.

Clique para comentar

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Os fatos que tornam Breanna Stewart a grande promessa do basquete feminino norte-americano

Basquete

Por que não liberam o doping no esporte? Entenda a questão

Discussão

Por que Lindsey Jacobellis é uma das maiores atletas sem ouro olímpico no século

Perfil

Nadadora Ruta Meilutyte perde testes e pode ser suspensa

Rápidas

Redes Sociais