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Hóquei no Gelo

Entre domínios e tabus: Estados Unidos e Canadá mandam sozinhos no hóquei no gelo feminino

Equipes disputaram todas as finais de Campeonatos Mundiais até hoje

Martin Rose/Getty Images

Segunda-feira é um dia pouco usual para decisões esportivas na maior parte do mundo. Porém, foi a data em que Canadá e Estados Unidos entraram no rink para a final do Mundial de Hóquei no Gelo Feminino 2016. A cena é comum e esperada, afinal, todas as 17 finais de mundiais foram disputadas entre norte-americanas e canadenses. Os dois países, definitivamente, mandam no esporte.

Como se o histórico de realizarem o jogo decisivo em todas as edições já não fosse suficiente, nunca Canadá ou Estados Unidos foram derrotadas por qualquer outra equipe na história do Mundial. Todas as derrotas das duas seleções foram resultados de confrontos entre si.

Diferente do hóquei masculino, que estreou em Jogos Olímpicos e realizou o primeiro Mundial no mesmo ano, em 1920, o feminino só começou a ter espaço a partir de 1990, quando foi realizado o primeiro Mundial na modalidade. Oito anos depois as mulheres puderam estrear em Olimpíadas.

A história aponta um amplo domínio canadense logo após o início das disputas femininas em mundiais. Depois da competição ter quatro edições espalhadas entre os anos de 1990 e 1997, finalmente o Mundial assumiu, em 1999, o caráter anual, sempre pulando os anos de Jogos Olímpicos de Inverno.

O Canadá obteve uma freguesia diante da seleção dos Estados Unidos que durou as primeiras oito edições de mundiais. De 1990 até 2004 todos os confrontos decisivos foram vencidos pelas canadenses na competição, mas com uma mancha olímpica no caminho.

Estados Unidos levam o primeiro ouro olímpico

Canadenses e norte-americanas chegaram na primeira edição olímpica, em Nagano 98, como as grandes cotadas para realizarem a final. O retrospecto dava o favoritismo para o Canadá, que vencera os últimos (e únicos) quatro mundiais para cima dos Estados Unidos, com direito a um 8 a 0 seis anos antes.

Os EUA, no entanto, já tinham mostrado o potencial em 1997, quando forçaram uma prorrogação diante das canadenses em solo adversário.

Canadenses frustradas no pódio após a derrota da decisão do ouro em Nagano (Foto: Arquivo IIHF)

O primeiro duelo entre as duas equipes nas Olimpíadas foi ainda na primeira fase da competição e teve um caráter bastante atípico. O jogo ocorreu com as duas equipes já garantidas na final, após vencerem os outros quatro adversários do grupo único. Depois do Canadá abrir 4 a 1, os Estados Unidos buscaram a virada e aplicaram 7 a 4.

Três dias depois os dois times voltaram a se enfrentar para decidir o ouro. Após um primeiro período zerado, Gretchen Ulion abriu o placar para as norte-americanas, que fizeram 2 a 0 a dez minutos do fim. As canadenses diminuíram a cinco minutos do fim e colocaram fogo no jogo. Com a goleira-linha em quadra, no entanto, o Canadá não conseguiu empatar, e ainda tomou o 3 a 1 com o gol vazio. Vitória dos Estados Unidos na primeira final olímpica.

Forças e tabus se invertem

Os seis anos que sucederam Nagano 1998 continuaram com o Canadá batendo os Estados Unidos em todas as finais possíveis até 2004, o que inclui o título olímpico canadense de 2002, em plena Salt Lake City.

O panorama começou a mudar em 2005, ano do primeiro título mundial norte-americano, que quebrou o monólogo canadense na competição. Na final daquele ano — disputada na Suécia — os Estados Unidos venceram nos shootouts, após o zero a zero permanecer no placar durante todo o tempo normal e prorrogação.

Curiosamente, um ano depois os Estados Unidos iriam se deparar com o pior resultado da história da equipe nacional nas principais competições femininas de hóquei no gelo. Na semifinal dos Jogos Olímpicos de Turim 2006, o time norte-americano chegou a abrir 2 a 0 para cima da Suécia, mas tomou o empate com dois gols no segundo período. O segundo veio em uma falha na saída de jogo dos EUA.

As suecas seguraram o empate durante todo o terceiro período e a prorrogação. Nos shootouts a goleira Kim Martin defendeu todos os quatros disparos norte-americanas, enquanto Maria Rooth e Pernilla Winberg marcaram para a equipe amarela e azul e selaram a vitória da Suécia, que ficaria com a prata ao perder a decisão do ouro para o Canadá por 4 a 1.

Placar final da semifinal em Turim 2006. No tempo normal 2 a 2, com vitória sueca no shootout, o que contabiliza mais um gol na contagem oficial (Foto: Reprodução/YouTube)

Em 2007 o Canadá venceu, em casa, o jogo que marcaria uma linha divisória na história do Mundial. Os 5 a 1 aplicados pelas canadenses deram início a uma arrancada norte-americana de seis títulos mundiais nas sete edições seguintes da competição.

Em uma coincidência, o panorama olímpico se inverteu. Se os Estados Unidos venceram em Nagano 1998 em uma época em que eram freguesas das canadenses, a equipe norte-americana nunca mais ganhou um ouro olímpico, mesmo depois de ter passado os ciclos de Vancouver e Sochi vencendo a maior parte dos confrontos diretos diante do Canadá.

Em Sochi as norte-americanas bem que tentaram. Tinham a vitória por um gol até um minuto para o fim do jogo na disputa do ouro. O Canadá passou a usar a goleira-linha, o que deu a grande chance dos Estados Unidos marcarem o gol da vitória quando o time recuperou o puck após um encontrão da atacante canadense com um dos árbitros. A jogadora norte-americana emendou o disparo do campo de defesa e gerou uma das cenas mais memoráveis daquela edição olímpica:

O puck bate caprichosamente na trave, evitando o 3 a 1 norte-americano em Sochi

Poucos segundos depois o Canadá conseguiu o gol de empate. Com um momento mais favorável mentalmente, as canadenses venceram na prorrogação. O título marcou o tetra olímpico do país.

4 de abril de 2016

Voltando ao factual, a final do Mundial de 2016 rendeu mais um título para os Estados Unidos. Depois de um jogo equilibrado no tempo normal — terminado em 0 a 0 — Alex Carpenter marcou o gol da vitória norte-americana sobre o Canadá na prorrogação, em pleno solo canadense.

Assim, os Estados Unidos chegam ao sétimo troféu mundial no hóquei feminino e estão a apenas três do Canadá, que possui dez. Uma arrancada da equipe norte-americana no retrospecto, depois de ter perdido as oito primeiras edições.

Antes das Olimpíadas de 2018 ainda será realizado mais um Mundial, em 2017. Já dá para prever quem chegará na decisão.

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